CRÍTICA: PASSE LIVRE


As insatisfações da meia idade.
"Passe livre" (EUA, 2011) dirigido pelos irmãos Bobby e Peter Farrely ("Quem vai ficar com Mary?", de 1998) traz duas importantes reflexões de cunho psicológico-comportamental: 1 - A crise de meia-idade afeta tanto a vida dos que nela se encontram, a ponto de buscarem relacionamentos amorososo novos, mesmo para aqueles que se encontram bem casados?
O fenômeno é encarado como universal, sendo mais latente no mundo Ocidental, onde a bigamia não é, tradicionalmente, aceita. Este comportamento social sugere uma insatisfação não com o cônjuge, mas com a sua rotina levando a crer que o ser humano nunca se encontra de fato satisfeito com as suas escolhas, sempre buscando e querendo mais da vida, ainda que esta seja perfeita; e 2 - Até que ponto a falta de uma nova conquista amorosa pode conduzir um homem a sua quase inaptidão na arte de sedução com uma pessoa do sexo feminino, em função dos anos sem prática? Os fatos indicam que essa inaptidão se origina na acomodação que um relacionamento estável propicia, mas outros fatores de origem psicológica influenciam quem está buscando uma companhia feminina, seja para uma relacionamento duradouro ou casual, como a timidez e o medo da rejeição.

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"Passe livre" trabalha com a crise de meia-idade que dois adultos (interpretados por Owen Wilson e Jason Sudeikis) passam ao atigirem, aproximadamente, uma década em seus respectivos casamentos. Depois de várias situações nas quais a dupla demonstra estar desmotivada com a monogamia do matrimônio, suas esposas concedem-lhes um 'passe livre', uma permissão de uma semana para que tenham relações extra-conjugais.

"Hall pass" (o título original) é mais um filme dos irmãos Farrely a recorrer ao escatológico em uma narrativa ágil e recheada de diálogos, gags e cenas, onde o assunto predominante é o sexo. O filme é uma ode ao escracho e possui, ainda, uma trama aceitável, com um roteiro bem elaborado, e uma direção apropriada para a condução de uma narrativa criativa, embora asquerosa em determinados momentos, cujo ápice é a cena que mostra o órgão genital masculino. "Passe livre" é diversão descerebrada (embora mereça destaque algumas questões abordadas), cuja trama é puro humor grotesco exacerbado (sendo esta característica dos Farrely mais virtuosa que um problema), mas convidativa a boas risadas. Um filme que compensa o valor do ingresso.



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