BOLSONARO


O Hitler do Século XXI
Muito se tem discutido sobre o polêmico deputado federal Jair Bolsonaro e seus comentários ofensivos e preconceituosos com relação a homossexuais, negros, cotistas, entre outros.

No dia 29 de março desse ano, em entrevista ao programa CQC da TV Bandeirantes, o deputado, respondendo à pergunta “Você sente saudade do lula?”, afirma que não, sente saudade somente de pessoas sérias, como Médici, Geisel, Figueiredo... (Todos governantes do período da Ditadura Militar).

Afirma também que, na ditadura, existia mais respeito, segurança, ordem pública e as autoridades exerciam autoridade sem enriquecer.

Na mesma entrevista, a cantora Preta Gil lhe faz a pergunta: “Se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?”

Bolsonaro responde associando negros à promiscuidade: “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o seu.”

Abaixo, o vídeo da entrevista no YouTube:


Em diversas mídias, inclusive em seu site oficial na internet, tenta justificar sua resposta afirmando que teria se equivocado, tendo entendido a pergunta de outra forma, como se, invés de “negra”, a cantora tivesse dito “gay”.

É de se estranhar que tais comentários venham de um dos integrantes da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, de um político cujo partido se diz progressista, já que, aparentemente, seus ideais são conservadores e preconceituosos, além de defender um regime que torturou e assassinou centenas de brasileiros.

Preta Gil, ofendida, não quis dar depoimento, mas afirma em seu twitter que entrará com uma ação no Ministério Público contra Bolsonaro por homofobia e preconceito racial.
O Presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, anunciou que vai oficializar o pedido de cassação do mandato do deputado federal por quebra de decoro parlamentar. Wadih afirma que as declarações de Bolsonaro são "inaceitavelmente ofensivas, pois têm cunho racista e homofóbico, incompatível com as melhores tradições parlamentares brasileiras".

Até mesmo a Ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, considera os comentários do deputado um “caso explícito de racismo”.

Nessa última sexta-feira (1 de abril), a AGLBT (Associação Brasileira de Lésbias, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) foi até a Procuradoria Geral da República pedir para que Jair Bolsonaro seja investigado pelos crimes de racismo, injúria e difamação, levando em consideração suas declarações feitas no programa CQC.
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Porém, não é a primeira vez que o deputado causa esse tipo de polêmica.

No ano 2000, em entrevista à IstoÉ, Jair defende a tortura como punição ao tráfico de drogas e ao seqüestro e se diz a favor da pena de morte em casos de crimes premeditados.

No dia 11 de novembro de 2003, em entrevista no Congresso Nacional, transmitida em rede nacional, ele defende a Imputabilidade penal em relação a menores de 16 anos, tendo séria briga com a deputada Maria do Rosário que resultou em xingamentos e a saída da deputada do local aos prantos.

Em 2006, se posiciona contra as cotas raciais nas universidades e apresenta um projeto de lei na Câmara dos Deputados, como forma de protesto, que propunha as cotas para deputados negros. Logo depois, declara que, se o projeto fosse mesmo à votação, ele seria contra.

Porém, um de seus episódios mais conhecidos até então, havia sido em 2008, em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, quando se discutia sobre a demarcação de terras de uma tribo indígena no Estado de Roraima, um dos representantes indígenas joga um copo d’água em Bolsonaro, após presenciar uma briga entre ele e o Ministro da Justiça Tarso Genro.

Após o ocorrido, o deputado faz seguinte declaração:
“É um índio que está a soldo aqui em Brasília, veio de avião, vai agora comer uma costelinha de porco, tomar um chope, provavelmente um uísque, e quem sabe telefonar para alguém para sua noite ser mais agradável. Esse é o índio que vem falar aqui de reserva indígena. Ele devia ir comer um capim ali fora para manter as suas origens.”

Em outra entrevista ao CQC, em 2010, fala sobre a AIDS e a responsabilidade pública, afirmando que "o Estado deve tratar de doentes infortúnios e não de vagabundos que se drogam ou adquirem Aids por vadiagem".

Veja abaixo a entrevista:


Não sei como um deputado (para não chamar de criminoso) com essa mentalidade absurdamente preconceituosa e racista, que acha que “para ter poder é preciso intimidar”, conseguiu se manter no meio político por tantos anos.

Os defensores de Bolsanaro agora estão falando sobre liberdade de expressão. Mas que liberdade é essa que ofende e segrega? Não podemos confundir liberdade de expressão com crime e o deputado é sim, um criminoso e merece responder por todas as acusações que está sendo indiciado.

Não existe, e nem pode existir, espaço para preconceito no mundo em que vivemos hoje. Quem não aceita, pelo menos aprenda a lidar com as diferenças e passem a entendê-las.


Carolina Avena é publicitária, jornalista, cinegrafista e blogueira.
Escreve em seu blog pessoal EuTeimo, é cinegrafista no CTAV e bartender na equipe Blitz Open Bar.

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