Campeão com méritos
Um dos clubes mais vitoriosos da história e que rompeu a barreira da desconfiança e da idade para voltar a ganhar títulos. Com essa frase, pode-se entender que o espírito rossoneri duvidava até o último momento da possibilidade de vencer o scudetto, apesar do passado glorioso. Um time envelhecido e a qualidade duvidosa de alguns jovens jogadores ajudam a explicar a acepção duvidosa acima.
No entanto, antes de explicar os problemas ainda vigentes na equipe milanesa, apesar do título, voltemos um pouco na história para entendermos como foi a década dos anos 2000 para a instituição de Milão após alguns anos de extremo sucesso com a geração dos holandeses, no final dos anos 80, e o final deste áureo período, representado nas três finais consecutivas da Liga dos Campeões entre 93 e 95, num tipo de êxito raro na história do futebol.
Após este momento dourado da equipe, os rubro-negros viveram uma pequena ausência de glórias européias até 2003. Ganhou os campeonatos nacionais de 1996 e 1999; entretanto, dividiu os holofotes italianos com a tri-finalista da Champions League Juventus, no triênio de 96 a 98, além de assistir aos títulos domésticos de Lazio e Roma.
A equipe vencedora da maior competição européia em 2003 e 2007, além da final perdida em 2005 era formada por experientes atletas com longos anos de casa, como Costacurta, Maldini, Ambrosini, Pirlo e Gattuso, além das apostas devidamente acertadas em Shevchenko e Nesta, sem esquecer os medalhões Rui Costa e Seedorf.
2007, no entanto, o Milan conseguiu a ‘vingança’ e derrotou o mesmo Liverpool pelo placar de dois a um. Ali, no entanto, já conseguíamos identificar os sinais de envelhecimento do time, que não conseguia se dividir de forma equivalente entre as duas principais competições que disputava. O quarto lugar no italiano veio muito por conta da ausência da Juventus, que disputava a série B devido aos escândalos de manipulação de resultados.
Tudo isso parece não levar a lugar algum para estabelecermos algum tipo de relação com a conquista mais atual. Entretanto, esse período de glórias era ofuscado pela hegemonia interista no campeonato doméstico e pelo fraco desempenho na Europa a partir de 2008.
A equipe de 2007 dependia muito da inspiração de Kaká, cujo futebol caiu vertiginosamente a partir daquela temporada. Desde lá, o Milan não consegue ultrapassar as oitavas de final da Champions, sendo derrotado, em algumas ocasiões, com autoridade por parte de seu adversário direto.Explica-se isso o elenco envelhecido, onde tínhamos um Nesta cheio de contusões; a lenda Maldini adiando sua aposentadoria, pois não havia um substituto à altura; a resistência em contratar ou manter jovens jogadores (como Gourcouff) em preferência a medalhões como Oddo, Zambrotta, Beckham e Ronaldo, entre outros.
Este tipo de política, no entanto, tem sido modificada nos últimos anos. A chegada de jovens como Pato, Flamini, Thiago Silva, Boateng, além da aposta em bons valores como Ibrahimovic, Cassano e Robinho têm renovado o elenco da equipe e propiciado uma gama de opções que há muito tempo um técnico do Milan não podia ter em mãos.
A vitória final no campeonato italiano, com duas rodadas de antecedência, mostra exatamente esse novo vigor de elenco, de time, que andava meio à espera de uma injeção de ânimo em atletas mais velhos que pareciam desmotivados. É interessante pensar que a chegada de jovens valores demonstrou investimento e aposta no futuro da diretoria técnica, o que pode ter incentivado jogadores como Seedorf e Nesta, que se mostravam decadentes e descartáveis até certo ponto.
Apesar disso, nos é importante lembrar que, acima, neste mesmo texto, dissemos que há, nessa nova política, jovens valores de qualidade duvidosa. Abate e Antonini, por exemplo, representam bem essa questão. São dois laterais de nível mediano, sem qualquer tipo de qualidade extra ou diferencial. Entende-se que um time do quilate do Milan necessita de atletas mais bem qualificados para exercer essas funções. E a solução não é nem Zambrotta, ou Bonera, e muito menos Jankulovski.
Outras tentativas que deverão se mostrar interessantes são a contratação do lateral canhoto Taiwo, do Olympique de Marseille, e a do zagueiro francês Mexes, que chega da Roma com a responsabilidade de substituir o histórico Nesta, um dos maiores zagueiros da história.
É importante, na hora de analisar o título do Milan, dar os créditos aos jogadores, incluindo-se, aí, os brasileiros, como Pato, Robinho e Thiago Silva, que tiveram papel importantíssimo na conquista. Ibrahimovic também deu força ao elenco, e a chegada de Cassano, no meio da temporada, apenas agregou ainda mais valor a um time forte, que tem um meio recheado de atletas razoáveis, e que deve ter sentido a ausência de Pirlo apenas nos momentos decisivos contra o Tottenham, pela eliminatória da Liga dos Campeões.
Como dito, valorize-se os atletas, mas é necessário lembrar de outro responsável por essa glória. Massimo Allegri, o treinador que, antes de chegar a um gigante, rodava por clubes pequenos médios da Itália, conseguiu cumprir com êxito, na visão do colunista, aquilo que, pelas condições oferecidas, era o máximo a ser alcançado. Mesmo as eliminações na Copa da Itália e na Champions League não deverão contar pontos negativos para o trabalho do jovem treinador, que conseguiu, com um plantel razoável, ser campeão com direito a margem de erro.Apesar de tudo o que foi dito, é importante que a diretoria técnica do Milan continue investindo em novos valores, dando confiança ao técnico e garantindo a tranqüilidade para se trabalhar. Um exemplo recente de política equivocada foi a demissão de Leonardo, que com um time extremamente limitado, conseguiu cumprir os objetivos

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