Emoção sem fim para nós e para os gringos
Em vários momentos, em diversos veículos de comunicação, na opinião do público comum que acompanha futebol, enfim, em todas essas fontes opinativas, sempre há aqueles que criticam o campeonato de pontos corridos pela monotonia costumeira de seu final, ou o outro que defende esta fórmula, pois ela garante que o verdadeiro melhor time, o mais regular, mais bem estruturado e equilibrado levante o caneco.
Não sou daqueles que defende ou critica uma ou outra fórmula de disputa. Consigo enxergar ônus e bônus em ambas as maneiras de se realizar uma competição. Temos os dois tipos, consagrados, em campeonatos dos mais diversos esportes. Nos Estados Unidos, que sabe como ninguém vender seus direitos de transmissão e fazer propaganda do seu negócio, observamos o fenômeno de marketing que é a NBA, uma competição eliminatória precedida por uma fase regular. No entanto, neste ano, o San Antonio Spurs, líder do lado oeste, foi eliminado na primeira rodada dos playoffs pelo último classificado, o Memphis Grizzlies.
No Brasil, num passado recente, tivemos um caso parecido com este. Em 2002, o Santos, que conseguiu garantir sua vaga às quartas-de-final do Brasileiro na última rodada, foi eliminando todos os concorrentes até bater o Corinthians na final, com duas vitórias. Há aqueles que usam o argumento da emoção e da imprevisibilidade do futebol para defender tal método de disputa; há muita razão nestes argumentos.
Por outro lado, verificamos na Europa, este ano, muitas emoções em alguns campeonatos que devem ser decididos em sua rodada derradeira. Na Inglaterra, o fim de semana promete com um clássico que pode colocar dois times na liderança conjunta da competição. Apesar de jogar em casa e poder ser considerado favorito, o Manchester United deve ter muito trabalho com o Chelsea, seu principal perseguidor, que pode igualar o número de pontos dos red devils com uma possível vitória em Old Trafford.
A Holanda apresenta uma verdadeira final dentro do sistema de pontos corridos, algo improvável neste tipo de competição, mas que traz um atrativo a mais ao campeonato local, que tem um nível técnico abaixo dos demais centros da Europa. Twente e Ajax duelam em Amsterdã neste domingo, e só uma vitória do time local traz o troféu para a capital holandesa. Já os visitantes necessitam apenas de um empate. Promessa de um jogo extremamente interessante.
A Alemanha já conhece seu campeão, o Borussia Dortmund. Entretanto, deixemos isso de lado até o momento, pois a equipe do site está preparando uma matéria especial sobre o sucesso do time amarelo após alguns anos em baixa; quais foram as causas do ressurgimento dessa equipe que chegou a flertar com as partes de baixo da tabela por muito tempo. E, claro, quem são os jogadores jovens, comandados por um técnico também novo, que levaram o clube à glória na Bundesliga.
Na Espanha, não esperamos muitas surpresas. Com o título praticamente assegurado, o Barcelona leva de braçadas a competição à espera da final da Champions League em Wembley, contra o Manchester. Matematicamente, a taça pode ser garantida neste fim de semana. Com uma possível vitória do Sevilla contra o Madrid em casa, a equipe blaugrana pode sagrar-se campeã com uma vitória, no Camp Nou, sobre seu principal rival local, o Espanyol, fechando a liga doméstica em grande estilo. Expectativas positivas, dessa maneira, para os torcedores do azul-grená.
Na Vela Bota, os italianos já se preparam para celebrar o título do Milan, que não comemora essa conquista desde a temporada 2003/2004. A campanha com apenas quatro derrotas, até o momento, não deixa dúvidas sobre o excelente trabalho realizado pelo técnico Massimiliano Allegri, que com um time de mediano para bom, está conseguindo levar os rossoneri ao scudetto. Virtualmente, a taça já está em Millanello, mas a glória seria ainda maior se, neste sábado derrotasse a Roma em pleno Estádio Olímpico. Além da possibilidade de conquista matemática da equipe de Milão nesta rodada, a disputa pela última vaga na Champions gaanhou mais um concorrente: com a vitória na última segunda-feira sobre a Lazio, a Juventus se coloca a quatro pontos da vaga e com plenas chances de tentar passar os dois times da capital e a Udinese. Boas expectativas também na Itália.
Para finalizar a Europa, vamos ao campeonato, dos aqui citados, que falta mais rodadas e que tem mais postulantes ao título: o francês. Apesar de termos dois times, Lille e Olympique, afastados dos outros na liderança, a irregularidade dos clubes franceses permite que o Lyon e o PSG, a cinco rodadas do fim, e a sete pontos da liderança, ainda tenham chances de buscar a taça. Apostando nisso, os lyoneses recebem os marselheses buscando a vitória para encostar-se aos primeiros; já o Lille viaja para encarar o ameaçado Nancy. O PSG, por sua vez, encara fora de casa o Mônaco.
No Brasil, a maioria dos estaduais se aproxima do fim de semana da primeira decisão. Dos campeonatos de menor referência, temos o duelo já tradicional entre Goiás e Atlético pelo goiano. Os esmeraldinos, atualmente na série B do brasileiro, tenta bater o único representante do estado na série A. Pela tradição, não há favoritos.
Em Pernambuco, O renascido Santa Cruz faz a final com o Sport, que tenta mais um título para sua coleção. O time da Ilha do Retiro é favorito, pois o Santa ainda está muito atrás em termos de equipe. No entanto, é um clássico que promete todas as emoções aos torcedores.
A Bahia teve uma final antecipada na semifinal, quando o Vitória eliminou o time homônimo ao Estado, empatando no saldo de gols nos dois jogos, mas levando vantagem nos critérios de desempate. A aposta no Bahia de Feira de Santana é improvável e, se não houver qualquer tipo de surpresa, os baianos rubro-negros estão na contagem regressiva para contabilizar mais um título estadual.
Como o Rio de Janeiro já finalizou seu estadual com o Flamengo unificando os dois turnos, o campeonato Carioca encerrou suas atividades prematuramente nesta temporada. Apesar de não ter encantado, chamado a atenção do público, ou ao menos empolgado, a equipe rubro-negra recebeu um prêmio pela competência e pragmatismo, além do equilíbrio psicoemocional em três decisões por pênaltis nas fases decisivas. Parabéns ao Flamengo, campeão carioca.
Minas Gerais faz uma final mais do que esperada devido ao nível das equipes pequenas do campeonato, ainda que o América Mineiro dispute a elite nacional este ano. Entretanto, ambos os grandes mineiros estão de ressaca devido às eliminações nas competições que disputavam paralelamente ao estadual no primeiro semestre, de forma inesperada. O Galo caiu em casa para o Grêmio Prudente na Copa do Brasil, enquanto que o Cruzeiro passou uma noite vexaminosa na última quarta-feira frente ao Once Caldas, em plena Arena do Jacaré.
São Paulo promete muito pela rivalidade e pelo fato de colocar um time pragmático, bem montado e experiente (Corinthians), frente a uma equipe nova, habilidosa, rápida e com grandes perspectivas de futuro (Santos). O contraste entre os clubes é muito grande, mas, na opinião do colunista, sem favoritos. Teoricamente, poderíamos colocar o time da Vila Belmiro na frente das apostas, pelo elenco, mas a disputa concomitante com a Libertadores divide e enfraquece a equipe na disputa de uma final de campeonato, equilibrando a disputa que promete ser tensa e bastante disputada, tanto dentro de campo quanto nas arquibancadas, com a nova política dos clubes paulistas de limitarem ingresso aos visitantes.

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