MANIQUEÍSMO DA FÉ
"Padre" (EUA, 2011) dirigido por Scott Stewart trabalha com o maniqueísmo de um padre guerreiro (interpretado por Paul Bettany) em luta contra criaturas mitológicas, sem deixar de questionar sua fé na igreja e no sistema, ora vigente, imposto por seus superiores.
A trama, complexa e recheada de fusões de gêneros cinematográficos (indo do suspense ao terror, perpassando pelo filme de ação), ambientada em um futuro com contornos da Era Medieval, trabalha com o retorno à ativa dos religiosos lutadores, que outrora pensaram ter exterminado uma espécime de 'vampiros', os antagonistas da narrativa."Priest" (o título original) é a adaptação fílmica do herói questionador do conceito da religiosidade das graphic novels da TokioPop. O filme é sombrio e melancólico. Seu personagem principal, repleto de dúvidas quanto à sua função dentro da Igreja e em relação à função da mesma, e ainda, em relação à sua própria vivência, toma para si a incumbência de livrar o mundo da dominação dos vampiros (há um elemento sentimental em tal atitude), agora liderados por um vilão mais poderoso: um ser híbrido, com habilidades bélicas de um ex-padre e a força de um vampiro.
O longa-metragem possui uma duração curta, mas suficiente para se tornar em uma produção eficaz e cult. Por este motivo, o filme evidencia uma pequena velocidade para encaixar os elementos na narrativa, esvaziando e empobrecendo de conceito psicológico a definição de suas questões abordadas. Tais como: o conflito existencial do personagem central, o conceito da fé religiosa, o conceito negativo que as pessoas comuns possuem com relação aos ordenados religiosos, identificados em virtude da Cruz tatuada em seus rostos, e a eterna luta entre o bem e o mal. Além, ainda, do confronto final não possuir tanto impacto quanto a produção prometia.
"Padre" conta, na maioria de seus fotogramas, com cenas escuras concebidas por Stewart de forma satisfatória em sua inverossimilhança. O filme evidencia a impressão de ser uma obra que poderia possuir mais momentos de brilhantismo, apesar de sua latente eficiência. "Padre" bate na tela como um potente rascunho de uma obra-prima. Seu astro, Paul Bettany, em interpretação delicada, consegue passar credibilidade a um personagem reprimido em seus sentimentos, mas decidido em sua missão, contando com a sabedoria dos predestinados, mesmo sentindo o peso de sua responsabilidade. Um herói existencialista e humano, sobretudo, humano.
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