O fino trato do RAPCORE
Bom, pra falar do Antizona eu preciso voltar no tempo, lá em meados dos anos 90, quando eu conheci o som dessa banda. Foi mais ou menos nessa época que eu frequentava uma festa meio clandestina na Zona Norte do Rio. Digo clandestina porque a festa rolava num quintalzão de uma casa meio doida com uma entrada escura onde não se enxergava um palmo alem do nariz.
O cara ia guiado pela música até chegar aos fundos desse quintal onde tinha um bar meio esfumaçado, um palco e uma galera que morava ali nos bairros próximos e frequentava aquele local nos fins de semana em busca de alternativas à rotina massante. Ali, naquele bar, rolaram muitas bandas locais e algumas de fora, rolaram muitas jams de amigos e também algumas batidas da policia, pedindo pra abaixar o som ou simplesmente conferir se a galera estava fazendo alguma coisa ilícita. Foi nesse contexto que eu conheci os primórdios do som do Antizona, um som pesado e de muito groove, e de lá pra cá a banda dividiu palco com outras bandas e artistas, como Planet Hemp, Squaws, Lobão e B Negão, além de muitos shows em comunidades dos subúrbios do Rio de Janeiro e outros lugares, levando a essas comunidades uma alternativa em termos de músicas e idéias.
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| Zovão, Horácio, ACM, Fabinho e Léo. Juntos formam o Antizona. |
Mudou um pouco a formação, mas em nenhum momento se perdeu a verdadeira essência do que é o AZ, pelo contrario, isso foi aprimorado. Ouvindo atentamente o som dos caras que é pesado, com marcantes riffs de guitarra executados por Fabinho Teixeira, percebe-se uma mão de Jimi Hendrix em sua fase mais funk (Band of Gypsys), aquela mesma mão que também se ouve quando escutamos Rage Agains the Machine e Red Hot Chilli Peppers - quem quiser entender essa onda pode ouvir as musicas "power of soul" ou "ezy rider" do Jimi que captará o que estou falando. A linguagem vocal da banda é transmitida através do rap, e acho legal destacar a versatilidade do não só Mc, mas também ótimo vocalista André Zovão, que consegue condensar bem aquele lance ritmado e que flui de forma rápida do rap com peso e melodia do lance mais rock de cantar. As letras abordam temas como o preconceito, o abuso de poder, falência das instituições, falta de democracia, relações entre o trabalho e o lazer, e submissão da sociedade perante a zona que impera no Brasil e em outros países "em desenvolvimento" (apesar de que eu ainda prefiro chamar de subdesenvolvido mesmo). A "cozinha" da banda é formada por uma dupla muito afinada no groove e funk: O baterista Leo Desbrousses, e o baixista Renato Horacio. O Dj Fabio ACM completa o time inserindo com talento e sabedoria scratches, programações e ainda dando sua colaboração nos vocais.
O AZ, que tem em seu primeiro CD o título de "Antizona", que é o mesmo nome da banda, encabeça um projeto muito bacana, demonstrando que a preocupação da banda com as questões sociais não é só da boca pra fora, como se vê muito por ai. Esse projeto rendeu um cd chamado "Hip-Hop pela não violência contra as mulheres". Os dois discos foram produzidos pela própria banda e totalmente independente de gravadoras.
Quem quiser conhecer mais sobre a banda, seu projeto social ou saber pontos de venda dos cds e futuros shows, pode acessar o site dos caras clicando no link abaixo:
http://www.bandaantizona.com/A_Banda.html
O AZ libera seus discos para download no 4shared portanto deixo aqui, com a consciência tranquila, o link para quem quiser baixar:
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