CRÍTICA: SUCKER PUNCH - MUNDO SURREAL


FUGA DA REALIDADE
O mercado exibidor nacional possui uma distorção enorme em relação aos seus lançamentos na tela grande. Filmes que não passam de razoável muitas vezes ficam em cartaz durante um tempo enorme e, especificamente, "Sucker Punch - mundo surreal" que teve sua estreia em 25 de março, ficou apenas duas semanas em exibição. Sem tempo suficiente para a divulgação boca-a-boca muito comum e bastante funcional.
Poster Oficial
Seu lançamento ocorreu com mais cinco produções ("Sem limites", "Sexo sem compromisso", "O retrato de Dorian Gray", "Atividade paranormal - Tóquio" e "Feliz que minha mãe esteja viva"), todas nas salas de exibição. O filme pode não ter sido o melhor lançamento daquela data, mas é um trabalho louvável e cult, bem superior ao terceiro filme da franquia "Atividade paranormal".

"Sucker Punch - mundo surreal" (EUA, 2011) dirigido por Zack Snyder ("300") traz uma importante reflexão de cunho psicológico-comportamental: - Pode uma pessoa em um momento trágico e vivendo uma situação espinhosa, onde a sua realidade é dolorosa, escapar desse mundo cruel e criar um universo que lhe seja aprazível? Os estudos do comportamento humano e do funcionamento de seu cérebro indicam que existe, de fato, a possibilidade da fuga da realidade, onde essa concepção de um novo mundo traz conforto e paz em momentos de puro sofrimento. Podendo, inclusive, esta pessoa, achar a solução para o conflito em que se encontra.

Faixa de divulgação.
O filme trabalha com o universo paralelo que a personagem de Emily Browning concebe durante sua dança que encanta e fascina. Como o sub-título indica, o longa-metragem é um delírio surreal bem filmado e roteirizado. Sua produção é requintada com uma bela fotografia que alterna entre o cinza e a máxima exploração das cores. Zack Snyder utiliza bem sua câmera tanto no início em câmera lenta como no universo criado pela personagem central, onde suas colegas são inseridas. Seus planos-sequência são interessantes e instigantes.

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Moça (Browning) acaba de perder a mãe quando o padrasto resolve abusar sexualmente dela e de sua irmã, com desfecho trágico. Acusada injustamente pelo inescrupuloso marido de sua finada mãe pelo assassinato da irmã e por comportamento anti-social é internada em um hospício feminino. Tragédia grega perde. No manicômio se encontra sob tratamento de uma psiquiatra que trabalha com o lado artístico das pacientes como forma de reabilitação. O surrealismo acontece quando Snyder utiliza esse cenário como um prostíbulo criado pela imaginação da personagem de Browning, quando, ainda, esta concebe uma realidade ficcional dentro da ficção e que a leva a descobrir a possibilidade de fuga (literal) daquele lugar.

Intenso e intrigante, "Sucker punch - mundo surreal" trabalha com várias mensagens subliminares. Snyder realizou uma obra ao mesmo tempo de arte e comercial ao abordar, com maestria e pleno domínio fílmico, o revés, a luta para escapar do confinamento e a conformação com seu infortúnio que uma moça de boa-índole não necessitava e nem deveria passar. Grata surpresa de 2011.



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