Portugal anda pequeno...
Uma coluna de estréia em um novo site, blog, qualquer que seja a mídia, sempre causa um frio na barriga inicial, pois quem escreve sempre fica na expectativa da opinião alheia. Entretanto, dispensemos a timidez inicial e vamos direto ao assunto que nos interessa: futebol.
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| Escudo FC Porto |
Como não houve tempo de fazer uma preparação extensiva, analisando a tabela dos principais campeonatos europeus, faremos um texto inicial parabenizando o atual campeão português, o Futebol Clube do Porto.
Investindo em peças predominantemente provenientes do subcontinente sulamericano, principalmente, com ênfase em brasileiros, uruguaios argentinos e colombianos, a equipe treinada por André Villas Boas, como diriam os portugueses, nadou de braçadas.
Os jogadores do Dragão acataram de forma evidente a disposição tática adotada pelo técnico, o 4-3-3. Tal tática necessita de ter os jogadores certos para as funções a serem desempenhadas. Não adianta colocar um atleta lento para fazer a ponta-direita, pois tal função exige possa acelerar e dar possibilidade de jogo aos meio-campistas, quando estes encontrarem o famoso ferrolho pela frente.
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| Uniforme número 1 - Temporada 2011 |
Explicando o sucesso, nos últimos anos, do clube português, que conquistou, desde 2002, uma Copa UEFA, uma Champions League, sete ligas domésticas, seis supertaças de Portugal, e três copas nacionais, além do Mundial Interclubes em 2004, está o poder de negociação na venda de seus jogadores, a estrutura que descobre e acolhe jovens promessas e o investimento em técnicos de futuro, como Mourinho e Villas Boas.
A média de idade do plantel portista, segundo o site ogol.com.br, é de 24,8 anos, e a nacionalidade de seus jogadores está bem distribuída entre portugueses, brasileiros, argentinos, uruguaios e colombianos. Nos últimos anos, além de conseguir bons valores vendendo seus atletas, tirou, por exemplo, Cristián Rodrígues do Benfica, e João Moutinho do Sporting. Isso, de certa maneira, enfraquece os adversários e fortalece seu próprio elenco.
Sobre o endurecimento nas transferências, apesar de recentemente o Benfica estar também vendendo mais caro seus jogadores, o Porto já se utilizava desse mecanismo de arrecadação de forma mais eficiente há mais tempo. Segundo o site da BBC, no verão de 2004 o Chelsea, da Inglaterra, após levar José Mourinho para treinar seus jogadores, pagou quase 20 mi de Libras por Ricardo Carvalho, e cerca 13 mi de libras pelo mediano Paulo Ferreira.
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| A transferência de Raul Meireles foi concretizada para o Liverpool pela bagatela de 13 Milhões de Euros. |
Segundo o site de transferências mercado-de-transferencias.blogspot.com, até a penúltima janela de verão que foi aberta para compra e venda de jogadores, o Futebol Clube do Porto havia vendido, desde a temporada 2003/2004, sete jogadores com valores acima de vinte milhões de euros, e dentre esses, Anderson, Pepe e Ricardo Carvalho ultrapassaram a cifra dos 30 mi de euros. Isso não inclui, ainda, as vendas de Bruno Alves ao Zenit, da Rússia, por 22 mi de euros, Cissokho para o Lyon por 15 mi de euros e a de Raul Meireles ao Liverpool, por módicos 13 mi de euros.
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Olhando tais valores, é fácil reconhecer que, quando um clube sabe fazer render seu dinheiro, haverá caixa para investir e contemplar os pedidos do treinador do clube. Dessa maneira, apesar de sofrer baixas consideráveis a cada verão, o clube sempre consegue repor seu plantel buscando jovens promissores em países sulamericanos e nos times menores de Portugal.
| Mourinho e Boas durante passagem de Mourinho pelo FC Porto. |
Falando sobre as apostas em treinadores inexperientes, pode parecer que há uma certa dose de irresponsabilidade aliada a um pouco de sorte na hora de “arriscar” em novatos. No entanto, tanto Mourinho quanto Villas Boas tiveram períodos de estágios com grandes profissionais. O atual treinador do Real Madrid, por exemplo, segundo reportagem do site Trivela, foi assistente de Sir Bobby Robson em vários períodos da trajetória do inglês como treinador. Passou, com o “mestre”, por Sporting, Porto, Barcelona e Newcastle, além de ter dividido períodos com Van Gaal no clube catalão.
Somente após todo esse período, enquanto se adaptava ao clube inglês, é que surgiu uma oportunidade de trabalho no Benfica. Entretanto, o time da capital não o valorizou e não teve paciência com o hoje denominado Special One. Após sua demissão, foi chamado ao União de Leiria, onde mostrou bons serviços e conquistou a confiança sobre seu trabalho dos dirigentes dos dragões. O resto é uma história conhecida de sucesso entre o treinador português e o clube do norte do país.
Villas Boas, de outro lado, foi por muito tempo assistente de Mourinho. É inegável que o Porto espera repetir os mesmos anos de sucesso que teve sob a batuta do atual campeão da Champions League. E essa aposta já está dando frutos, com a conquista antecipada da liga nacional e a vaga praticamente garantida na semifinal da Europa League, ex-Copa da UEFA.
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| Hulk comemora gol pelo FC Porto em 2011. |
Apesar de aparentemente termos fugido do tema todos esses parágrafos, podemos identificar um ponto comum neles: todos mostram acertos de uma diretoria inteligente que soube comprar barato, vender caro, investir na juventude e trabalhar com paciência. Os títulos estão aí para provar isso.
Há, claro, o argumento de que o Campeonato Português é fraco, que não oferece mais desafios ao time azul e branco. Entretanto, é importante dizer que a política esportiva aplicada em diversas áreas pela diretoria do clube acabou por enfraquecer adversários e deixar a instituição grande demais para o país. Hoje, temos um clube português bastante respeitado na Europa, tratado quase ao mesmo nível dos maiores do continente, algo que não ocorria numa magnitude tão grande desde o Benfica de Eusébio.
É claro que o Porto não entra favorito num confronto contra o Manchester United, a Inter de Milão, o Real Madrid ou o Barcelona, mas dificilmente um analista esportivo, um comentarista de futebol afirmará categoricamente que esses clubes passarão pelo representante português. É, sim, uma equipe ainda abaixo dessas, mas suas condições como equipe e sua regularidade em competições internacionais fazem com que sejam sempre respeitados no futebol atual.

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